quarta-feira, 7 de maio de 2008

Velha História.

Ele se levantou, atrasado. Por que será que o celular não despertou naquele dia? Saiu correndo com o tênis mal colocado e vestindo o agasalho, não deu tempo de lavar o rosto. Chegou no ponto de ônibus e incrivelmente ele estava vazio. Checou o relógio, estava mesmo atrasado... A prova, ai meu deus!, a prova! Será que ele conseguiria fazê-la em só 40 minutos que, pelos seus cálculos, era o tempo que ele teria já que chegaria uma hora depois de seu início.
Esqueça os 40 minutos, o ônibus não passou tão rápido quanto ele achava que passaria, na verdade o ônibus demorou demais para passar, ele já pensava na substitutiva, pensava se conseguiria se lembrar da matéria até o fim do ano. Pensava também nos 38 reais que teria que desembolsar pra pagar essa tal de substitutiva... O ônibus chegou exatos 32 minutos de espera e ele já sentia o gosto amargo da derrota quando lembrou que o noturno teria a mesma prova naquele mesmo dia. Era sua salvação.
Durante o trajeto ficou feliz quase o tempo todo, ensaiando o que dizer para o professor de modo que o velho o deixasse fazer a prova no outro turno, reparou que o ônibus estava muito vazio para uma segunda-feira, mas ônibus vazio não deve ser nunca um motivo para preocupação.
Desceu do coletivo num salto, passadas largas e rápidas pra chegar e pegar o professor ainda na sala, um quarteirão, dois quarteirões, a faculdade sempre foi tão longe assim daquele ponto? Chegou. Parou, olhou a porta de vidro e respirou fundo, o discurso pela piedade estava ensaiado. Pisou no tapete. A porta não abriu. Saiu e pisou de novo, a porta mesmo assim não abriu, ele olhou confuso e viu um segurança com cara de tédio sentado na recepção. Olhou o relógio, saiu do tapete, pisou de novo e nada da porta abrir. O segurança notou a presença do rapaz desesperado com a porta que não abria nunca, se levantou e foi até ela. Parou em frente ele e a porta também não se abriu.
“Ele vai me dizer que essa porta ta com problema, que mico eu ter ficando insistindo num sensor quebrado...” ele pensou, mas o segurança simplesmente perguntou se podia ajudá-lo. “Essa porta ta quebrada? Eu estudo aqui” ele respondeu ingenuamente e não esperava por tal resposta que recebeu. “Hoje é domingo, meu caro”.
Ele se viu mais ridículo ainda do que se fosse só uma porta quebrada, saiu sem falar nada, cabisbaixo, não conseguia acreditar que tinha ido até a faculdade em pleno domingo. Era por isso então que as ruas estavam vazias, o ônibus, o ponto... Era por isso que seu celular não tinha despertado, afinal ele havia programado apenas para tocar de segunda à sexta.
A volta pra casa foi calma e silenciosa, repleta de um sentimento de vergonha e derrota. Quando chegou em casa novamente, era muito tarde para voltar a dormir e resolveu assistir algum filme. Um levou à outro que levou à outro. Entre esses filmes ele até pensou em ligar, mas se lembrou que ela perdera o celular há cerca de um mês. No fim da tarde ele entrou no MSN, pensando em contar pra ela de sua manhã idiota, mas ela não estava online.
Esqueceu da história que tinha por contar, abriu a janela dela e arriscou “O pedaço de mim que te dei está me fazendo falta”, fechou a janela sem apertar o enter e resolveu ver um outro filme.

4 comentários:

helds disse...

bonito, mas previsível... era meio obvio que era domingo já no inicio da história e no final ele tinha perdido o celular??? como assim??? ele nnão tinha colocado para despertar naquele dia/semana?

fora isso está muito bom.
gostei mesmo.

=]

helds disse...

ahhh tah... foi ela que perdeu o celular... entendi... hahaha.
mas o domingo ainda era obvio.


senti um pingo de realidade com vontade nessa história.

luizbejota disse...

isso me lembrou um episódio do chaves... mas fala a verdade, isso aconteceu com você, né?
xxxxxx

Juka Nassar disse...

por isso o celular nao dispertou.